31/03/2026

Violência doméstica: qual o papel da psicologia nesses casos?

A violência doméstica pode se manifestar por meio de agressões físicas, psicológicas, morais, sexuais e patrimoniais. No atendimento desses casos, cabe ao profissional da psicologia acolher e amenizar o sofrimento causado, levando a vítima a encontrar ferramentas para lidar com suas emoções e seus sentimentos e superar possíveis traumas.

 

A violência física é entendida como qualquer conduta que ofenda a integridade ou a saúde corporal da pessoa com uso de força, como espancamento, atirar objetos, sacudir ou apertar os braços, estrangulamento ou sufocamento, lesões com objetos cortantes, ferimentos por queimaduras ou armas de fogo, tortura.

 

Já a psicológica engloba qualquer conduta que cause dano emocional e diminuição da autoestima; prejudique e perturbe o pleno desenvolvimento da vítima; ou vise degradar ou controlar suas ações, comportamentos, crenças e decisões. É praticada por meio de ameaças, constrangimento, manipulação, proibição de ver familiares e amigos, chantagem, insultos etc.

 

Por sua vez, a violência moral abrange qualquer conduta que configure calúnia, difamação ou injúria, como acusar a pessoa de traição, emitir juízos morais sobre a conduta dela, expor a vida íntima, rebaixá-la com xingamentos que incidem sobre sua índole, desvalorização por sua forma de se vestir.

 

A violência sexual inclui qualquer conduta que constranja a vítima a presenciar, manter ou participar de relação sexual não desejada mediante intimidação, ameaça, coação ou uso da força. Pode ser identificada em estupro, impedimento de usar métodos contraceptivos, forçar gravidez, impedir ou anular o exercício dos direitos sexuais.

 

Por fim, a violência patrimonial é entendida como qualquer conduta que configure retenção, subtração, destruição parcial ou total de objetos, instrumentos de trabalho, documentos pessoais, bens, valores e direitos ou recursos econômicos.

 

Atendimento

No atendimento a vítimas de violência, cabe ao profissional da psicologia acolher e amenizar o sofrimento causado por esse tipo de violência, levando o paciente a encontrar ferramentas para lidar com suas emoções e sentimentos e superar possíveis traumas.

 

O apoio psicológico deve ser direcionado para cada indivíduo a partir das suas próprias demandas, da sua própria história, oferecendo um ambiente seguro e que transmita confiança.

 

O terapeuta procura fortalecer a autoestima da pessoa, bem como ajudar no processo de enfrentamento das consequências da violência, ensinando repertórios comportamentais de regulação emocional e desenvolvendo outros de habilidades sociais a partir de uma escuta não julgadora, mas acolhedora.

 

Em muitas situações, além da psicoterapia, é necessária a combinação com a psicofarmacoterapia, o que envolve a participação do médico psiquiatra.

 

Prevenção

Contribuir para a prevenção da violência também é papel dos profissionais da psicologia. Nesse caso, destaca-se a importância de um trabalho com várias frentes de atuação, incluindo políticas públicas atuantes em apoio à comunidade, a fim de que ofereçam informação, bem como melhores condições econômicas, sociais e de saúde para as famílias.

 

O trabalho junto às escolas também é de extrema necessidade quando as vítimas de violência são crianças e adolescentes, para que aprendam, por exemplo, os limites de seus corpos, o que deve ser tolerado ou não, a identificação do abuso e onde podem buscar ajuda.

 

As ações de prevenção dos profissionais da psicologia englobam, ainda, atuação nas comunidades e famílias, orientando, identificando e notificando casos de violência.

 

Em casos específicos, o psicólogo pode optar pela quebra de sigilo e compartilhar informações sem a concordância por escrito do paciente. Porém é importante lembrar que essa quebra de sigilo é um direito, não um dever.

 

Algumas situações desse tipo surgem quando há suspeita de risco de morte do paciente ou de terceiros; quando há violência doméstica em curso, negligência ou abuso de incapazes; e quando o psicólogo recebe uma ordem judicial.

 

Ferramenta

‘Enfrentando a violência doméstica: intervenção e acolhimento’ é uma ferramenta que tem como objetivo ajudar mulheres que estão vivendo em situação de violência.

 

De autoria das psicólogas Luana Ribeiro e Maria Eduarda de Freitas e publicados pela editora RIC Jogos, os cards podem ser utilizados para psicoeducar acerca das diferentes formas de violência.

 

Após avaliar a necessidade de trabalhar formas de enfrentamento, o recurso possibilita à vítima uma nova perspectiva de interpretação/ressignificação do processo que está sofrendo, enfraquecendo os sentimentos negativos e os pensamentos difíceis e/ou sabotadores.

Tecnologia TrayCommerce
Logo Tray
Ao usar esta loja virtual, você aceita automaticamente o uso de cookies. Acessar nossa Política de Privacidade.