O que é puerpério e por que pode deixar a mãe vulnerável?
O puerpério é o período pós-parto que começa logo após a expulsão da placenta e termina quando o corpo da mãe e as alterações hormonais e fisiológicas voltam ao estado de não gravidez.
Durante o puerpério, a mulher passa por várias alterações hormonais, físicas e emocionais, sendo comuns sintomas como cansaço, tristeza, mau humor, sangramento vaginal, cólicas, inchaço na barriga, prisão de ventre, incontinência urinária e mamas endurecidas.
O puerpério dura de 45 a 60 dias e se divide em quatro fases: imediato (inicia-se logo após o parto e dura duas horas), precoce ou mediato (começa após a segunda hora depois do parto e dura até o décimo dia), tardio (inicia-se no 11º dia e vai até o retorno da menstruação, por volta de seis semanas após o parto) e remoto (da sexta semana ao 12º mês).
Emoções
O puerpério emocional é um termo usado para descrever as alterações emocionais da mulher no pós-parto. Elas podem ser percebidas por meio de sintomas como tristeza, insônia, redução da libido e cansaço físico ou mental.
Além disso, a mãe pode apresentar ansiedade, estresse ou depressão. Por isso, a importância de um pré-natal psicológico que previna ou minimize seu sofrimento durante e após a gravidez.
A decisão de aumentar a família envolve muitas mudanças, como hormonais, econômicas, de rotina do lar e trabalho. Tudo isso contribui para o surgimento de angústias e desregulação emocional.
Sofrimento
Ao contrário da crença popular de que a gravidez é um momento de alegria para todas as mulheres, a literatura e a prática mostram que a maioria delas encontra algum nível de sofrimento psíquico, físico e social no período pré e pós-parto.
Nessas fases, normalmente, observa-se uma vivência relativamente contínua de tristeza ou de diminuição da capacidade de sentir prazer que pode ser transitória ou se tornar crônica caso não haja assistência adequada.
Especificamente no puerpério, as alterações hormonais, a lactação e a sensação de impotência diante de novas realidades – advindas da chegada do novo ser na sua vida, da privação do sono, do incremento de responsabilidades no lar, do pouco preparo nas fases anteriores ao parto – promovem alterações no comportamento de grande parte das mães.
Além disso, podem acarretar problemas recorrentes na sua saúde psíquica, assim como repercutir no desenvolvimento da criança.
Diagnóstico precoce
No entanto, todos esses eventos psíquicos na gestação e no pós-parto podem ser mitigados e com maior sucesso se precocemente diagnosticados.
O psicólogo obstétrico/perinatal tem conhecimento específico para atuar com as questões que envolvem toda a transição para a parentalidade, como planejamento familiar, gestação, parto, pós-parto, estimulação ao desenvolvimento infantil e programas que incentivem boas práticas parentais.
A psicologia perinatal ainda é recente no Brasil, e são poucos os profissionais que trabalham nessa área. Por esse motivo, ainda não é muito comum que as mulheres procurem ajuda profissional nesse período da vida.
Porém, ao passarem por inúmeras dificuldades, desafios, dúvidas e adoecimento psíquico, tais pacientes acabam recorrendo ao serviço de psicologia. Muitas delas, entretanto, têm dificuldade de expor seus sentimentos em consultas convencionais.
Ferramenta
Nesse contexto, a ferramenta ‘Quem sou eu na maternidade? 100 cards para autoconhecimento durante a gestação e o pós-parto’, de autoria da psicóloga Christina Ribeiro de Paula Bueno e publicada pela editora RIC Jogos, foi desenvolvida para auxiliar no diagnóstico precoce das alterações emocionais em pacientes gestantes ou que estão vivenciando o pós-parto.
Cada card apresenta questionamentos que correspondem a um conjunto de comportamentos adotados pela mulher ao longo da sua história desde a decisão de aumentar a família, passando pelo parto e chegando nos primeiros dias após o nascimento do bebê.



