Necessidades emocionais: a importância da psicoeducação de pais
De acordo com a terapia do esquema (TE), criada pelo psicólogo norte-americano Jeffrey Young, a formação da personalidade das pessoas é influenciada por temperamento, experiências iniciais e continuadas com os pais ou outros responsáveis e atendimento das necessidades emocionais básicas, aquelas que precisam ser supridas na relação com os cuidadores e por eles e que contribuirão para o desenvolvimento saudável da criança. Por isso, a importância de psicoeducá-los a respeito.
Todos têm necessidades emocionais básicas que precisam ser supridas especialmente na infância, período de maior influência para a construção da personalidade. Assim, seu atendimento ou não tem influência na formação de quem o indivíduo é, como se enxerga, como estabelece e mantém relacionamentos e como se comporta no mundo.
Quais são?
A primeira necessidade emocional básica do ser humano é o vínculo seguro. Envolve a criança se sentir segura, aceita e pertencendo ao grupo familiar. Pais/responsáveis que buscam atender a essa necessidade mostram interesse pelo filho, abraçam, olham nos olhos, validam emocionalmente e prezam por momentos de qualidade com ele.
A segunda é intitulada autonomia e competência. Se a criança tem essa necessidade atendida, se sente capaz de executar atividades e ser independente, além de se sentir segura e com competências para enfrentar e explorar o ambiente. Os cuidadores que a atendem criam oportunidades para o filho desenvolver habilidades, dão responsabilidades a ele (de acordo com o nível do desenvolvimento), ajudam, mas não em excesso, e ensinam passo a passo de atividades que pode fazer sozinho.
Limites realistas
A terceira necessidade emocional básica são os limites realistas. Engloba o autocontrole e a capacidade de adiar os desejos. É a compreensão de regras e o entendimento da importância de considerar e respeitar a si mesmo e os outros. Para atendê-la, os pais/responsáveis precisam estabelecer regras claras e consistentes, ensinar os filhos a lidarem com frustração e sobre reciprocidade.
A quarta é denominada valorização, reconhecimento e liberdade de expressão. Envolve a criança ter a sensação de ser gostada por quem ela é, sem condicionar o amor, assim como sentir que pode expressar o que sente e deseja. Pais/responsáveis que buscam atender a essa necessidade permitem que o filho se expresse, seja ouvido e ensinam a importância de existir um equilíbrio entre o próprio desejo e o dos outros.
E a quinta são lazer e espontaneidade. Se a criança tem essa necessidade atendida, sente que há espaço para se expressar e brincar de forma leve e espontânea. Tem a sensação de que pode se divertir. Para atender a essa necessidade, os cuidadores podem oferecer um espaço para brincadeiras, normalizar a expressão de sentimentos, demonstrar interesse pelo filho e serem modelos de espontaneidade.
Orientação parental
Na psicoterapia infantojuvenil, a orientação parental é papel do psicólogo e tem diferentes objetivos, entre os quais se destacam o ensino aos pais/responsáveis de habilidades específicas que auxiliem na criação dos filhos e no abandono de práticas e comportamentos negativos ligados à relação entre ambos.
Os cuidadores apresentam suas próprias histórias de vida, necessidades emocionais não supridas e, consequentemente, esquemas negativos e positivos que levam a determinadas posturas parentais. Tais posturas podem dificultar ou facilitar o atendimento das necessidades emocionais dos filhos a depender de quais são e como ocorrem suas interações no sistema familiar.
Sendo assim, a orientação parental parte da premissa de que os pais/responsáveis precisam de entendimento para que possam modificar a conduta de seus filhos e assim aprender como agir em diversas situações. Isso ocorre porque, à medida que uma pessoa toma conhecimento de sua forma de agir e de quais são as consequências, estará apta a mudar suas ações, ampliando as capacidades de relacionamento.
Alterações positivas na conduta dos adultos, consequentemente, irão resultar em mudanças comportamentais nas crianças, estimulando, por exemplo, sua autonomia, autoestima elevada, relações sociais mais proveitosas, prevenção e/ou combate de atitudes problemáticas.
Ferramenta
Nos consultórios de psicologia infantojuvenil, cada vez mais, pais/responsáveis chegam aflitos porque os filhos estão com sintomas de ansiedade, depressão, dificuldades comportamentais, desatenção, entre tantas outras demandas que sinalizam que questões emocionais não estão seguindo um curso saudável. As pessoas não adoecem por acaso e, com o conhecimento de que se dispõe hoje na psicologia de forma geral, sabe-se que existem muitas questões, especialmente ligadas às experiências iniciais da vida, que levam a determinados desfechos emocionais.
Por isso, a ferramenta ‘Orientação parental com base na terapia do esquema: 100 cards para atender as necessidades emocionais’ visa orientar os cuidadores sobre tais carências dos filhos, apontar sinais favoráveis e desfavoráveis que indicam se elas estão sendo supridas e elencar atitudes que devem ser evitadas e outras que devem ser fortalecidas seguindo como base a terapia do esquema. De autoria das psicólogas Natanna Taynara Schütz e Juliana Eichenberg e publicado pela editora RIC Jogos, o recurso é direcionado ao uso profissional com pais ou outros responsáveis.



