Modos esquemáticos: como trabalhá-los na clínica infantojuvenil
A terapia do esquema (TE), que trabalha os modos esquemáticos, é uma abordagem psicoterapêutica integradora a qual combina aspectos da terapia cognitivo-comportamental (TCC), teoria do apego, gestalt, construtivismo e psicanálise.
Esse modelo foi desenvolvido com o intuito de tratar adequadamente pacientes que não respondem tão bem às intervenções tradicionais em TCC, principalmente aqueles com transtornos da personalidade.
Inicialmente, a TE era direcionada ao tratamento de adultos. Entretanto, a ênfase em técnicas emocionais/vivenciais, a valorização da relação terapêutica e a intervenção na mudança de padrões de enfrentamento desadaptativos mostraram-se eficazes com crianças e adolescentes e na orientação aos pais.
A valorização desses aspectos vem ao encontro de demandas recorrentes no atendimento ao público infantojuvenil, por exemplo: baixa motivação para o tratamento, dificuldade em identificar pensamentos, baixo repertório comportamental, ciclo familiar disfuncional pela colisão de esquemas e modos desadaptativos entre os pacientes e seus cuidadores.
A teoria desenvolvida por Jeffrey Young é importante tanto para o tratamento quanto para a prevenção de transtornos, considerando que o não cumprimento das tarefas evolutivas e o não atendimento às necessidades emocionais da criança e do adolescente têm importante papel na formação da personalidade e dos esquemas iniciais desadaptativos.
Ativação
Os modos esquemáticos são estados momentâneos de ativação simultânea de emoções, cognições e respostas comportamentais. São expressos instantaneamente e podem revelar a ativação de um ou mais esquemas quando uma necessidade emocional básica não é atendida.
De modo geral, são objetivos da TE para crianças e adolescentes ajudá-los a terem suas necessidades emocionais básicas atendidas; identificar os modos esquemáticos dos pacientes e de seus cuidadores; reorientar a interação entre os modos, promovendo relações mais adaptativas entre os pacientes e seus cuidadores.
Outros objetivos são prevenir e reparar a formação de esquemas iniciais desadaptativos (EIDs); fortalecer os modos criança feliz e criança sábia/competente e enfraquecer os modos de enfrentamento desadaptativos.
O trabalho com modos esquemáticos é um recurso importante na psicoterapia com crianças e adolescentes tendo em vista que esse público identifica com mais facilidade suas emoções e seus comportamentos – o que pode ser porta de entrada para o tratamento.
Além disso, os estados afetivos podem mudar mais rapidamente nesse público; e, ao considerar esse estágio do desenvolvimento (infância e adolescência), compreende-se que os EIDs ainda estão em formação, portanto, ao identificar os padrões desadaptativos, é possível traçar intervenções de maneira mais adequada e eficaz.
Os modos esquemáticos são organizados em quatro categorias: modos criança, modos de enfrentamento desadaptativos, modos críticos internalizados e modos competentes/saudáveis.
Ferramenta
O jogo de tabuleiro ‘Modos esquemáticos: conhecendo os meus outros lados’, de autoria da psicóloga Marina Fim Scopel e publicado pela editora RIC Jogos, é direcionado ao uso clínico com crianças a partir de 7 anos e adolescentes.
Tem como objetivos fazer a psicoeducação sobre o assunto, identificar os modos esquemáticos, explorar gatilhos e a interação entre os modos esquemáticos, fortalecer o modo competente, aplicar estratégias adaptativas no cotidiano e propiciar o autoconhecimento e a criatividade.



