Identificando e reestruturando crenças a partir da TCC
Dentro dos princípios da terapia cognitivo-comportamental (TCC), as crenças centrais são as estruturas mais enraizadas sobre como o indivíduo enxerga a si mesmo, o outro, o futuro e o mundo, o que fornece o material necessário para os processos terapêuticos que levam à contextualização do funcionamento do paciente, à compreensão do modelo cognitivo e à consequente reestruturação cognitiva.
Segundo o psiquiatra Aaron Beck, considerado o pai da TCC, as crenças centrais podem ser classificadas em:
1. Crenças de inadequação: visão negativa sobre si mesmo envolvendo sentimentos de incapacidade ou insuficiência.
2. Crenças de indignidade de amor: percepção de não ser digno de amor, aceitação ou pertencimento.
3. Crenças de perigosidade ou vulnerabilidade: visão de que o mundo é hostil ou imprevisível.
4. Crenças de controle excessivo ou responsabilidade: necessidade de controle absoluto ou percepção exagerada de responsabilidade.
5. Crenças de desamparo: sensação de impotência diante de situações adversas.
Reestruturação cognitiva
A reestruturação cognitiva é a base da terapia cognitivo-comportamental e tem como objetivos identificar as crenças limitantes e transformá-las em funcionais, adaptativas e realistas. Isso porque, conforme a abordagem, a maneira como as pessoas interpretam os acontecimentos influencia o modo como se sentem e se comportam a partir deles.
Sendo assim, por meio de técnicas dinâmicas, a reestruturação cognitiva estimula o paciente a desenvolver sua autonomia e enfrentar seus desafios de maneira mais saudável e assertiva.
Identificação
A reestruturação cognitiva deve se ajustar a cada caso, dependendo do problema a tratar em particular e das características individuais dos pacientes. Mas, em resumo, as estratégias são divididas em três momentos: identificação, contestação e modificação.
O primeiro passo para iniciar o processo da reestruturação cognitiva, portanto, é identificar quais são os pensamentos distorcidos que o sujeito tem, o auxiliando a aumentar a consciência sobre sua própria cognição. Isso pode ser feito por meio de técnicas de exposição e até de relaxamento.
Contestação
A partir do momento em que o paciente está familiarizado com suas distorções cognitivas, é necessário intervir de uma maneira mais específica, ou seja, o terapeuta aparece como uma figura contestadora, que faz diversas perguntas para que o cliente assuma uma postura reflexiva sobre sua vida.
Gradualmente, o terapeuta consegue planejar experiências comportamentais que levam o paciente a avaliar seus pensamentos disfuncionais. Isso torna possível a testagem de diversas crenças, analisando se estão ou não coerentes com a realidade e a situação vivida.
Modificação
A modificação de crenças limitantes é o momento mais esperado da reestruturação cognitiva. Nele, os pacientes desenvolvem uma conclusão sobre a real utilidade dos pensamentos disfuncionais e têm a oportunidade de escolher a continuação do seu uso ou a sua transformação e ressignificação para crenças saudáveis.
Importante ressaltar que o trabalho do terapeuta não é impor a modificação dessas crenças, mas oferecer um espaço de escolha seguro para que o próprio paciente, com suas ferramentas psíquicas fortalecidas, faça a escolha que mais potencializará sua qualidade de vida de forma consciente e realista.
Ferramenta
De autoria da psicóloga Ellen de Oliveira Moraes Senra e publicado pela editora RIC Jogos, o jogo Crenças e reestruturação cognitiva: quebrando padrões de funcionamento com a TCC foi desenvolvido para auxiliar o processo de psicoeducação, conceituação e reestruturação cognitiva TCC.
Por meio da identificação de pensamentos automáticos e crenças centrais, o paciente compreende seu modelo cognitivo e pode participar ativamente da mudança. Destina-se a adolescentes e adultos, podendo ser utilizado em atendimentos individuais ou em grupo.
O profissional encontra tanto os conceitos principais com os quais irá trabalhar quanto recursos práticos para uso no cotidiano clínico de forma a tornar mais rápido e eficaz um processo que embasa todo o percurso terapêutico.



