Bulimia e anorexia: o que difere esses transtornos alimentares?
Bulimia e anorexia estão entre os transtornos alimentares mais comuns e caracterizam-se por alterações severas no comportamento alimentar. Ambos afetam mais mulheres jovens, principalmente adolescentes, porém podem atingir homens e mulheres em todas as faixas etárias.
Relacionados a fatores genéticos, ambientais, sociais e culturais, os transtornos alimentares podem levar à obesidade, ao emagrecimento extremo e a uma série de outros problemas de saúde física e mental.
Tais patologias são potencialmente crônicas, de difícil tratamento e tendem a causar grandes prejuízos à vida das pessoas. Por isso, a importância do diagnóstico precoce e do encaminhamento para o tratamento adequado o quanto antes.
Também é preciso derrubar o tabu que ainda existe acerca dos transtornos alimentares e haver a compreensão de que não se trata de uma escolha do indivíduo manter o quadro por vontade própria.
Além disso, a observação de familiares e amigos é muito importante, porque é bastante difícil para a própria pessoa compreender que há uma doença a ser tratada.
Rejeição alimentar
A anorexia, caracterizada pela rejeição alimentar, geralmente começa com uma dieta na busca de uma alimentação saudável, seguida por uma diminuição na ingestão de gorduras e carboidratos, passando pela redução de refeições e chegando a regimes extremamente rígidos, até o jejum.
Os principais sintomas são peso abaixo do normal, medo exagerado de engordar, distorção da imagem corporal, uso constante de métodos para emagrecer, ausência de menstruação por até três meses nas mulheres e baixa libido em homens.
Outros sinais são perfeccionismo, controle, rigidez, introversão, retração social e pensamentos obsessivos. Muitas vezes, relações paradoxais são percebidas, como paixão pela comida, por cozinhar, servir outras pessoas, comida como enfeite ou para sentir o cheiro.
A anorexia se manifesta de duas formas. Uma delas é a nervosa restritiva, que se caracteriza por uma baixa significativa na ingestão de calorias e exercícios em excesso. A outra é a purgativa, em que, além das características anteriores, o indivíduo induz vômito e faz uso indiscriminado de laxantes e diuréticos.
Ingestão exagerada
Por sua vez, a bulimia caracteriza-se pela ingestão exagerada e rápida de alimentos. É acompanhada por um sentimento de perda de controle seguido de comportamentos compensatórios frequentemente empregados para controle do peso.
Os sintomas incluem, ainda, preocupação excessiva com o peso ou a forma corporal e medo exagerado de engordar, distorção da imagem corporal, compulsão alimentar, uso de métodos compensatórios, vômitos induzidos, dietas rígidas e uso de diuréticos, laxantes, inibidores de apetite e outras drogas.
O indivíduo pode apresentar instabilidade de humor, impulsividade, baixa tolerância à frustração, dificuldade de lidar com limites e regras, sintomas depressivos, ansiedade e culpa por comer demais.
Há dois tipos de bulimia. A purgatória é determinada pelo uso de autoindução aos vômitos e uso desmedido de medicamentos. Já a sem purgação engloba jejuns e exercícios físicos em excesso.
Ferramenta
‘Transtornos alimentares: 70 cards para pensar sobre autoimagem distorcida’ é uma ferramenta que auxilia pacientes com transtornos alimentares a aderirem à psicoterapia. Tem como objetivo entender o funcionamento cognitivo de cada um para, então, escolher as melhores estratégias a serem utilizadas.
Os cards são divididos em seis grupos: eventos, pensamentos, sentimentos, comportamentos, estratégias utilizadas e pensamentos alternativos.
De autoria da psicóloga Camilla Volpato Broering e publicado pela editora RIC Jogos, o recurso é direcionado ao uso clínico com crianças a partir de 10 anos, adolescentes e adultos.



