0

Resumo do Carrinho

    06/05/2024

    Atuação da psicologia em riscos, emergências e desastres

    Riscos, emergências e desastres são fenômenos complexos e multidimensionais que causam morte, sofrimento e desequilíbrio. Por sua vez, as ações de resgate requerem medidas que envolvem equipes multidisciplinares focadas na promoção, proteção e recuperação da saúde física e mental dos seres humanos, justificando a inclusão do saber psicológico em tais cenários.

     

    Como uma nova especialidade, a psicologia das emergências e desastres apresenta-se como uma consequência lógica de múltiplos estudos e experiências que demonstram que tais eventos, além de ceifar vidas e causar danos materiais e perdas econômicas, causam profundo impacto emocional nas pessoas, comunidades e equipes de primeiros socorros, podendo durar muito tempo e interferir na reconstrução da comunidade afetada.

     

    Envolvimento gradual

    O envolvimento da psicologia em contextos de riscos, emergências e desastres tem sido gradual, inicialmente voltado apenas para o pós-desastre e, no século 21, incluindo ações de prevenção.

     

    A partir de 2006, o Conselho Federal de Psicologia (CFP), em parceria com a Associação Brasileira de Ensino da Psicologia (ABEP) e a Secretaria Nacional de Proteção e Defesa Civil (Sedec), vem inserindo psicólogos e estudantes de psicologia nos debates científicos sobre o tema.

     

    O primeiro evento científico da área sobre emergências e desastres ocorreu naquele ano, quando o CFP inclusive sinalizou para a necessidade de inserir tais conteúdos no currículo do curso de psicologia.

     

    O Conselho Federal de Psicologia também promoveu a criação da Rede Latino-Americana de Psicologia em Emergências e Desastres.

     

    Em função das chuvas que castigaram diversos municípios brasileiros no final de 2010, o CFP lançou um plano de ação articulado com seus conselhos regionais visando estudar a dimensão das emergências e estabelecer ações concretas voltadas para os afetados.

     

    Ações preconizadas

    A ampliação da atuação da psicologia das emergências e desastres ocorreu, portanto, a partir da parceria com a Defesa Civil, que percebeu a necessidade de inserir novos protagonistas para construir cidades mais seguras.

     

    Sendo assim, houve o envolvimento de psicólogos nas quatro ações preconizadas pela Política Nacional de Defesa Civil para a redução de desastres: prevenção, preparação, resposta e reconstrução.

     

    A primeira fase, a prevenção, visa evitar que o desastre aconteça ou diminuir a intensidade de suas consequências. A preparação, por sua vez, tem por finalidade melhorar a capacidade da comunidade de atuar diante de um evento adverso.

     

    A resposta, por sua vez, visa socorrer e auxiliar as pessoas atingidas, reduzir danos e prejuízos e garantir o funcionamento dos sistemas essenciais da comunidade.

     

    Por fim, a fase de reconstrução abrange as ações voltadas para restabelecer a comunidade atingida, proporcionando seu retorno à normalidade e considerando a minimização de novos desastres.

     

    Possibilidades

    Documento elaborado pela Sedec aponta as possibilidades de ações da psicologia nas quatro fases.

     

    Na prevenção, cabe aos profissionais da área atuarem com capacitação comunitária para a percepção de riscos, em projetos educativos, no desenvolvimento de projetos para a minimização de vulnerabilidades sociais e no mapeamento de áreas de risco.

     

    Na preparação, é tarefa dos psicólogos auxiliarem as comunidades a estabelecerem e estruturarem planos de contingência.

     

    As ações durante o desastre e na recuperação pós-desastre, por sua vez, estão voltadas para a gestão e administração de seus efeitos, ao atendimento às pessoas afetadas, à administração dos abrigos provisórios e à concepção dos planos de reconstrução voltados às necessidades da população.

     

    Referências técnicas

    O Conselho Federal de Psicologia oferece à categoria e à sociedade o documento ‘Referências técnicas para atuação de psicólogos na gestão integral de riscos, emergências e desastres’, produzido no âmbito do Centro de Referência Técnica em Psicologia e Políticas Públicas (Crepop).

     

    O texto propõe uma reflexão crítica e histórica sobre a inserção da psicologia no campo das emergências e dos desastres, ampliando as possibilidades da atuação dos profissionais da área no gerenciamento de riscos e vulnerabilidades.

     

    Desse modo, para além de grandes acidentes e/ou desastres ambientais, a ação da psicologia se estende para situações sociais que atingem grande número de pessoas na sociedade brasileira (como, por exemplo, a seca, o desemprego e outras questões socioeconômicas), para as quais são necessárias políticas públicas de prevenção.

     

    Acesse o documento na íntegra aqui.