Abril Azul e a importância da conscientização sobre autismo
Este mês é marcado pela campanha Abril Azul, que reforça a necessidade de ampliar a conscientização sobre o transtorno do espectro autista (TEA) e promover uma sociedade mais inclusiva. A iniciativa tem relação direta com o Dia Mundial de Conscientização do Autismo, celebrado em 2 de abril por determinação da Organização das Nações Unidas (ONU).
Popularmente chamado de autismo, o TEA é um transtorno do neurodesenvolvimento que engloba uma variedade de sintomas e graus de severidade. Cada vez mais diagnosticado na infância, atinge uma em cada 36 crianças de 8 anos (2,8%) segundo dados do Centro de Controle de Doenças e Prevenção (CDC) dos Estados Unidos.
Também vem crescendo o número de diagnósticos tardios, ou seja, na vida adulta. Portanto, cabe a todos, sem exceção, compreender essa realidade que se apresenta das mais diversas formas nas famílias, nos meios acadêmicos, profissionais e demais âmbitos sociais.
Diagnóstico
Os critérios diagnósticos do TEA englobam déficits persistentes na comunicação e na interação social em múltiplos contextos e padrões restritos e repetitivos de comportamento, interesses ou atividades.
Sinais de autismo podem ser percebidos já nos primeiros anos de vida do bebê, como falta de contato visual, desinteresse por interações sociais e atraso na linguagem. A atenção dos pais ou outros responsáveis, portanto, é fundamental para o diagnóstico e tratamento precoces.
Causas
Não há uma etiologia específica para o transtorno, mas a linha principal é a genética embora os pesquisadores ainda não tenham descoberto a sequência de genes que contribui para o autismo.
Também existem fatores relacionados à gestação, como, por exemplo, infecções por patógenos, baixa vitamina D e problemas sistêmicos, que podem afetar o desenvolvimento neurológico fetal e, com isso, prejudicar seu pleno funcionamento.
O aumento do número de casos de TEA nos últimos anos pode estar relacionado a questões como a melhoria no diagnóstico quanto aos critérios usados e profissionais mais bem treinados.
Por outro lado, ainda falta uma maior integração entre as partes envolvidas, incluindo famílias, escolas e setor da saúde, para que a inclusão, o tratamento de qualidade e até mesmo a prevenção se tornem uma realidade de fato.
Ferramenta
‘TEA para adultos: o desafio das crenças’, de autoria das psicólogas Jullyanna Cardoso e Sandra Barreiros e publicada pela editora RIC Jogos, é uma ferramenta lúdica fundamentada nos princípios da terapia cognitivo-comportamental (TCC), especialmente no modelo de Aaron Beck e nas estratégias de reestruturação cognitiva e ativação comportamental.
Desenvolvido para apoiar adultos autistas (níveis 1 e 2 de suporte), o jogo auxilia no reconhecimento, questionamento, na reformulação e transformação de pensamentos automáticos que reforçam o sofrimento emocional e dificultam o funcionamento adaptativo.
É composto por quatro tipos de cartas que organizam o percurso terapêutico. As cartas de crenças, que apresentam afirmações negativas típicas da experiência autista e funcionam como ponto de partida para identificar padrões cognitivos disfuncionais.
As cartas de desafios, que trazem perguntas claras, diretas e livres de ambiguidades, permitindo testar a validade e a utilidade dessas crenças à luz de evidências concretas. As cartas de reformulação, que oferecem alternativas realistas, autocompassivas e coerentes com valores, interesses especiais e necessidades sensoriais de cada participante.
E as cartas de ativação comportamental, que transformam as novas crenças em ações práticas, incentivando pequenas mudanças, ampliação da autonomia e fortalecimento da autoeficácia.
Mudanças cognitivas
Ao percorrer o ciclo de reconhecer, desafiar, reformular e agir, o adulto autista desenvolve maior consciência de si, amplia a flexibilidade cognitiva, fortalece a autorregulação e encontra recursos internos e externos para sustentar suas necessidades e adaptações.
O jogo promove não apenas autoconhecimento e aceitação, mas também mudanças cognitivas e comportamentais sustentáveis, favorecendo a autenticidade, a autonomia e uma vivência mais equilibrada e significativa.
Além disso, pode ser integrado a programas de psicoeducação, grupos de habilidades sociais e intervenções voltadas à autorregulação emocional, apresentando potencial para futuras pesquisas de validação empírica e eficácia terapêutica.
A ferramenta também leva ao autoconhecimento e à validação da identidade autista, fortalecendo a aceitação do próprio jeito de ser e reduzindo a necessidade de camuflagem.
Favorece o pertencimento e a qualidade das relações ao transformar crenças negativas sobre amizade, família e trabalho em conexões mais seguras e contribui para a regulação sensorial e emocional ao ajudar a identificar gatilhos e adotar estratégias de enfrentamento antes da sobrecarga.
Estimula maior flexibilidade cognitiva e comportamental, permitindo lidar com mudanças e imprevistos sem perder estabilidade, além de ampliar a autoconfiança e a defesa de necessidades, encorajando pedidos assertivos de adaptações.



